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24/06/2014

Nem tudo é champanhe!

Houve um tempo em que os brasileiros chamavam de “champanhe” toda e qualquer bebida que tinha bolhinhas. Até aquelas bebidas feitas com maçã e gaseificadas artificialmente eram assim chamadas. Depois, parece que tudo virou “prosecco”, mesmo se o vinho nem tivesse essa uva em sua composição.

Então, antes de falar sobre os casos mais importantes, não se esqueça: na dúvida, chame apenas de “espumante”. Não tem erro.

Abaixo, segue uma pequena lista dos mais importantes espumantes do mundo:

Champagne – só recebe esse nome o espumante vindo da região francesa de Champagne, onde é elaborado por um método criado por lá, conhecido como champenoise, em que a segunda fermentação ocorre na própria garrafa. São os mais famosos e caros espumantes do mundo, elaborados com as uvas chardonnay, pinot noir e pinot meunier, sozinhas ou em cortes (assemblage).

Cava – é o famoso espumante da Espanha, vindo principalmente da região da Catalunha e que utiliza uvas locais, como a macabeo, xarel-lo e parellada. Até os anos 1970, os espanhóis utilizavam o nome “champaña”, mas que foi proibido para não se confundir com os famosos franceses.

Crémant – é o nome dado a espumantes franceses fora da região de Champagne, que também utilizam o mesmo método de elaboração, mas vêm de regiões como Alsácia, Borgonha, Loire e Bordeaux, por exemplo. As uvas autorizadas dependerão da região.

Prosecco – é também o nome da uva com a qual são elaborados bons e baratos espumantes, inclusive no Brasil. Os italianos criaram uma Denominação de Origem (DO) com esse nome na província de Treviso, nordeste do Vêneto. Por lá, chamam a uva de glera, nome antigo pelo qual é conhecida a prosecco.

Asti - é outro famoso espumante italiano, vindo da região do Piemonte. São feitos com a uva moscato bianco e o resultado é um vinho adocicado e com baixo teor alcoólico, ideais para bebericar ou acompanhar pratos doces.

Franciacorta – não tão famoso quanto os dois anteriores, esse é um espumante italiano da região da Lombardia que busca aproximar-se em estilo e qualidade dos champagne franceses. As uvas permitidas são chardonnay, pinot noir e pinot blanc.

É importante não confundir os espumantes com os frisantes, que são diferentes em vários aspectos qualitativos, como a pressão interna da garrafa. Enquanto os frisantes podem ter entre 2,5 e 4 atmosferas, os espumantes terão até 6 atmosferas de pressão. Isso pode não parecer muito, mas fará boa diferença na taça.

O Brasil tem se destacado no mundo todo com seus espumantes muito benfeitos e de todos os estilos, desde os refrescantes aos muito encorpados em faixas de preços que cabem no seu bolso. Para esses produtos, ainda não há um nome próprio, então opte também por usar o termo “espumante”.

Por Érika Mesquita / Especialista em vinhos pela Wine & Spirit Education Trust / Correio de Uberlândia.